Bloqueio atrioventricular de 2º grau, Mobitz tipo I – Típico
Giovanni Canta
/ Categorias: Casos clínicos, Ferox

Bloqueio atrioventricular de 2º grau, Mobitz tipo I – Típico

Ecg veterinário

Neste tipo de bloqueio observa-se no traçado eletrocardiográfico, ondas P bloqueadas de forma intermitente sem os respectivos QRS.

 

Traduz-se no ECG veterinário pelo aumento progressivo do intervalo PR batimento a batimento (Progressivamente o estímulo vai tendo uma dificuldade de passar do átrio para o ventrículo) com incremento do intervalo PR cada vez menores até que uma onda P seja bloqueada. Em consequência, ocorre, também, diminuição gradativa do intervalo RR até ocorrer a falha (esta variação do intervalo RR não é observada se o ritmo de base for arritmia sinusal).

 

Este fenômeno descrito acima chama-se ciclo de Wenckebach.

 

O primeiro complexo após o bloqueio é aquele que tem o menor intervalo PR. A partir daí, o ciclo se repete.

 

As falhas podem ser variáveis, o ciclo pode ser 4:3, 10:9, 12:11, 5:4 3:2. Sequências longas de Wenckebach tal como relação 10:9, ou até mais 20:19, ou 1000:999 obedecem à ordem habitual de incrementos dos intervalos PR, porém, em graus muito pequenos, podendo ser quase que imperceptíveis ao ECG convencional.

 

Contrastando com o caso anterior, o ciclo de Wenckebach pode ser muito curto (extremo ou de alto grau) com manifestações ao ECG veterinário de 2:1. Isto não permite que se faça o diagnóstico diferencial de bloqueio AV Mobitz tipo I ou AV Mobitz tipo II.

 

Sendo assim, torna-se necessário a existência de pelo menos duas ondas P consecutivas conduzindo QRS para conseguir determinar o comportamento do intervalo PR.

 

Um ponto importante é a existência da forma atípica (ciclo irregular não obedecendo ao ciclo de Wenckebach clássico ou típico. Neste caso, não se observa o aumento gradual do intervalo PR- Os aumentos podem ser aleatórios ou até mesmo com PR fixo até o batimento anterior ao bloqueio).

 

Como proceder nestes casos? A dica é sempre observar o intervalo PR imediatamente anterior a onda P bloqueada e o intervalo PR imediatamente posterior. Se, o intervalo PR depois da onda P bloqueada for menor, estamos frente ao Mobitz tipo I.

 

Pontos chaves:

 

  • Para o diagnóstico de BAV 2º grau, tipo I, deve-se gravar o critério a seguir:  PR pós bloqueio é menor do que o PR pré bloqueio.

 

  • Normalmente considerado benigno, não estando relacionado a doenças estruturais cardíacas.

 

  • Geralmente não evolui para formas mais avançadas e não leva a repercussão hemodinâmicas.

 

  • Embora pode ocorrer em qualquer região do sistema de condução, geralmente seu local sede é no NAV.  Raramente é intra ou infra-hisssiano.

 

  • Para uma melhor observação do fenômeno é importante realizar um registro de ECG longo.

 

 

  • Qual a relevância dessa arritmia na medicina veterinária? Para responder a essa pergunta é fundamental observar se a frequência de bloqueios ao longo do registro está ou não reduzindo a média da frequência cardíaca (FC) e se sim, o quão importante é esta redução (raramente o bloqueio atrioventricular de 2º grau, tipo I, leva a bradicardia)

 

Project Image Lightbox

 

Note o aumento progressivo do intervalo PR e a onda P bloqueada após o 4º batimento. Ciclo de Wenckebach 5:4. Note, ainda, PR pós bloqueio (70ms) menor que PR pré bloqueio (130ms).

 

Observar que os incrementos no intervalo PR são progressivamente menores (+30ms/ +20ms e +10ms)

 

 

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