Consulta pediátrica: você conhece as particularidades?
Juan Blancas
/ Categorias: Pequenos animais

Consulta pediátrica: você conhece as particularidades?

Os três primeiros meses do filhote é o momento de fortalecer os pilares para a saúde e bem-estar, mas é a oportunidade, também, de fidelizar o tutor

A chegada de um filhote à uma clínica não deve ser vista pelo médico-veterinário apenas como a ocasião de realizar todos os protocolos e exames. O profissional deve aproveitar a chance para criar laços com o animal e, principalmente com o tutor. O diretor e veterinário responsável dos Hospitais Veterinários Animália, Renato Campello Costa, falou sobre essa relação, que pode ser muito vantajosa para os dois lados.

“Este é um momento em que se deve ouvir e observar bastante o tutor antes de fazer suas colocações, pois, só assim poderá entender quem é ele e qual espaço o filhote preencherá na família. Clientes são pessoas e, como tal, podem ser muito diferentes. O veterinário precisa entrar em sintonia, criar uma relação de confiança e harmonia com cada um, estabelecendo o que a psicologia chama de rapport, uma sincronia entre duas ou mais pessoas”.

Segundo ele, os médicos-veterinários podem cometer algumas falhas que afastem o tutor. “Dois equívocos são bem comuns. O primeiro é que, como nós veterinários somos treinados para curar doenças, frequentemente nos atemos a falar delas ao invés de focar na prevenção das mesmas. A consulta pediátrica é o momento em que o dono está entusiasmado, empolado e alegre com a chegada do filhote, ele quer saber como fazer para manter esta felicidade e bem-estar e não falar de vírus, vermes ou bactérias”, afirma. O segundo equívoco, seria a falta de agendamento, ou seja, uma hora marcada é suficiente para iniciar e terminar o atendimento de um filhote em sua primeira visita. Afinal, há muito sobre o que falar e explicar e o fazer na correria do dia a dia da maioria dos veterinários, certamente, não deixará boa impressão.

Ter um diferencial é sempre importante em uma clínica veterinária. Para Costa, o astral de quem vai a uma clínica levar seu filhote para ser vacinado é bem diferente daquele que ali está para uma cirurgia ou tratamento quimioterápico, por exemplo. “Diante disso, acredito que áreas de recepção, triagem e espera devem ser separadas para atendimentos simples e tratamentos de maior complexidade. Se possível, ter um consultório específico para atendimento exclusivo para filhotes e animais saudáveis em check-up também darão aos clientes a percepção de segurança e cuidado”, opina.

Além do ambiente físico, o profissional deve sempre investir em si. “Educação continuada, atualização e capacitação técnica contínua em suas áreas de atuação são obrigações de qualquer profissional e, conosco, não é diferente”.

Outro ponto em que o médico-veterinário pode “aproveitar” para criar laços com tutor é quando este último já possui um animal de estimação que frequente o consultório. “Se o cliente já conhece o profissional e seus serviços, algum vínculo já existe e estreitá-lo será mais simples. O veterinário atento já deve ter verificado qual a personalidade daquele tutor, assim como a forma como sua família vive a experiência do primeiro pet. A partir daí, o aprofundamento do vínculo de confiança fica mais fácil. Para o tutor de ‘primeira viagem’, como comentado anteriormente, é preciso ouvir muito, observar atentamente e, só depois, iniciar uma explanação personalizada e adaptada àquele cliente”, explica.


Fonte: Revista Cães&Gatos, adaptado pela Equipe Ferox

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