Cardiologia Veterinária - Taquicardia Supraventricular com Condução Aberrante
Juan Blancas

Cardiologia Veterinária - Taquicardia Supraventricular com Condução Aberrante

Eletrocardiograma veterinário constata ritmo acelerado e bastante irregular em paciente de 13 anos

A atividade elétrica de um ritmo cardíaco normal (ritmo sinusal) “surge” no nódulo sinusal (NSA), um conjunto de células especializadas localizado próximo ao óstio da cava superior. Estas células possuem a importante propriedade de “automatismo”, ou seja, a capacidade de se despolarizar espontaneamente com uma determinada “frequência de disparos”. O estímulo elétrico então é conduzido pelo sistema de condução atingindo os átrios, nó atrioventricular e ativando os ventrículos.

A bifurcação do feixe atrioventricular marca a divisão entre as áreas Supraventricular e ventricular, já que a origem de um ritmo em relação a esse ponto de referência determina a morfologia do complexo QRS, sendo estreitos quando originados cranialmente a esse ponto e largos e bizarros quando distal a esse ponto. 

As Taquicardias Supraventriculares (TSV) são taquiarritmias de origem não ventricular. Incluindo as arritmias atriais (Taquicardia atrial, flutter e fibrilação atrial) e região nodal (Taquicardia por reentrada nodal e Taquicardia por reentrada em via acessória).

Essas arritmias podem ser bastante regulares com na Taquicardia atrial ou bastante irregulares como na fibrilação atrial. Vários mecanismos eletrofisiológicos causam a TSV, incluindo reentrada, via acessória, foco ectópico atrial ou juncional, sendo que o mecanismo de origem influencia diretamente no tratamento antiarrítmico.

Se houver um bloqueio de ramo (direito ou esquerdo), mesmo que a ativação ventricular se proceda pelo sistema His-Purkinje, o QRS será alargado e aberrante. Muitas vezes, o bloqueio surge apenas durante o episódio da Taquicardia. Contudo, durante uma taquicardia muito rápida, o estímulo pode chegar ao feixe de His no instante em que apenas um dos ramos encontra-se refratário, geralmente o ramo direito. Neste caso o QRS terá morfologia de um Bloqueio de ramo direito, caracterizando assim uma taquicardia supraventricular com condução aberrante.

Caso clínico:
Paciente poodle, fêmea, 13 anos de idade, apresentando quadro de peritonite séptica decorrente de neoplasia abdominal. Animal apresentava-se com nível de consciência bastante reduzido, dispneico, pulso femoral hipocinético não correspondente aos batimentos cardíacos, presença de crepitação pulmonar em ambos os lobos e hipotensa.

No eletrocardiograma veterinário constatou-se ritmo acelerado e bastante irregular, e após análise de critérios eletrocardiográficos foi constatado uma Taquicardia supraventricular com condução aberrante com padrão de BRD nas derivações precordiais.


Imediatamente pelo quadro de instabilidade hemodinâmica foi recomendado a cardioversão química por via intravenosa. O animal foi submetido à cardioversão com antiarrítmico de classe III (Amiodarona), tendo seu ritmo e frequência cardíaca voltada para os padrões de normalidade. Foi prescrito o mesmo antiarrítmico por via oral. Dentro de 24horas a paciente foi submetida a novo exame de eletrocardiograma veterinário constatando-se reversão total para o ritmo sinusal.


A cardioversão química é um procedimento não invasivo e que pode salvar vidas. É preciso que o médico identifique o quanto antes a arritmia através do eletrocardiograma veterinário para que medidas terapêuticas sejam realizadas precocemente, com o intuito de manter a sobrevida do animal.


Autor: Rodrigo Corrêa Fonseca Machado
MV.Esp. 
Cardiologia Veterinária 
CRMV-MG 9698

 

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